
Amados irmãos no Diaconato, queridas esposas e estimados candidatos, saudações em Cristo Servo!
Neste dia em que a Igreja se alegra e celebra a memória de São Lourenço, nosso padroeiro e testemunha eterna do amor entregue, volto nosso coração a cada um de vocês.
Sentimo-nos honrados em abraçar, por meio desta mensagem, toda a nossa comunidade diaconal do nosso imenso Brasil. São Lourenço enxergou nos pobres as maiores riquezas da Igreja. Que sua vida seja o espelho onde miramos nossa vocação cotidiana.
O diaconato é a poesia do serviço escrita com a própria vida. Ser diácono é atualizar no hoje da história o próprio Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir”. Nós somos os braços estendidos da Igreja que alcançam as periferias existenciais, o consolo que enxuga as lágrimas dos esquecidos e a voz que anuncia a esperança onde o mundo insiste em semear a dor.
Nossa missão não se limita ao espaço sagrado do presbitério. O nosso altar mais desafiador é a sociedade. É nas esquinas do sofrimento humano que o nosso sim se torna carne e transforma o cansaço em profecia.
Olhamos para o livro dos Atos dos Apóstolos e vemos o nascimento do nosso ministério: a imposição das mãos para que o cuidado e a justiça não fossem esquecidos.
Naquela época, os primeiros sete foram chamados para suprir as lacunas da caridade, garantindo que nenhum necessitado ficasse desamparado.
Hoje, o mundo mudou, mas o clamor dos famintos de Deus permanece o mesmo. O diácono atual caminha em uma sociedade hiperconectada, mas profundamente solitária; rica em tecnologia, mas carente de compaixão. Se no tempo dos apóstolos o desafio era servir às mesas físicas, hoje somos chamados a curar as fraturas da alma humana, combatendo a indiferença com a proximidade, e o egoísmo com a doação.
Sabemos bem que o caminho do diaconato é feito de renúncias e de uma entrega que exige o coração por inteiro. Vivemos a beleza e a exigência de uma dupla missão: o pastoreio do lar e o pastoreio do povo de Deus.
Nosso primeiro campo de missão é o nosso lar. É no abraço da esposa, no olhar dos filhos e na rotina familiar que testamos a autenticidade do nosso diaconato. Às nossas queridas esposas, expressamos nossa profunda gratidão. O diaconato não é uma missão solitária; o “sim” de vocês ecoa no altar e nas ruas, sustentando nossa vocação com amor, paciência e cumplicidade. Cuidar da família é o solo firme que sustenta o nosso ministério.
Da mesa do lar partimos para a mesa da Palavra e da Caridade. Olhamos com esperança para os nossos candidatos ao diaconato, que hoje traçam os passos do discernimento e da formação. Vocês são as sementes do amanhã, o vigor renovado que a Igreja tanto necessita. Que o período formativo seja um tempo de profunda intimidade com o Cristo Servo.
Equilibrar o tempo, o cansaço do trabalho civil, as exigências pastorais e as necessidades da vida familiar é, muitas vezes, o nosso martírio silencioso. Há dias em que o corpo clama por repouso e a alma parece carregar o peso do mundo. No entanto, é justamente nessa entrega total, partilhada em casal e fortalecida pela comunidade, que experimentamos a graça de Deus agindo em nossa fraqueza.
Cada gota de suor derramada pela causa do Reino é um testemunho vivo de fidelidade.
Avancemos com Coragem!
Meus irmãos, queridas esposas e futuros diáconos, não desanimem diante das incompreensões ou do cansaço. A nossa vocação é um presente precioso para a Igreja do Brasil.
Que São Lourenço nos ensine a ofertar não apenas o nosso trabalho, mas a nossa própria vida por amor a Cristo e aos irmãos.Que a Virgem Maria, a Serva do Senhor, caminhe conosco, sustentando nossas famílias e abençoando a nossa missão.
Um santo e feliz Dia do Diácono a todos!
Fraternamente,
Diácono Márcio Antônio dos Reis Presidente do CDD – Diocese de Paracatu/MG e Esposa Elen Cristina A. E. Reis